Francisco Maia & Associados
   

Reforma ou bricolagem

Publicado em 24 de setembro de 2017 - Advogado/Engenheiro Francisco Maia Neto

Estudos revelam que uma família faz em média apenas duas reformas ao longo de toda sua vida, cujo motivo pode ser atribuído aos inúmeros transtornos causados pelo frequente trânsito de materiais e funcionários, como pedreiros e pintores, pela sujeira causada e, especialmente, pelos estouros nos custos e os prazos inicialmente estimados.

Para minimizar esta situação as pessoas devem buscar orientação de um profissional habilitado, sobre aspectos que na maioria das vezes são esquecidos ou desconhecidos, como, por exemplo, os cuidados e interferências que devem ser previstas quanto ao deslocamento dos pontos de água e esgoto de um banheiro ou uma cozinha em uma eventual alteração no layout, assim como a indicação dos materiais mais adequados para cada finalidade.

Além disso, a contratação de um especialista é fundamental para a definição do escopo da reforma, bem como seu planejamento, evitando desperdícios e mudanças após o começo da obra, minimizando dilatação de prazo e custo, detalhes que fazem toda a diferença na hora de reformar, pois definir este planejamento e o cronograma não é tão simples como se imagina e está diretamente relacionado com o valor que será investido, por isto é de suma importância que elaborados por um “expert”, seja ele engenheiro ou arquiteto.

Não bastassem estas recomendações, cumpre ainda lembrar que a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), no ano de 2014, publicou uma norma técnica com os requisitos para reformas em edificações, a NBR 16.280, que estabelece as principais diretrizes, visando preservar a segurança da edificação e seu entorno, exigindo a emissão de laudo técnico e acompanhamento do especialista, o que afasta a presença do curioso e privilegia a boa técnica.

O certo é que na maioria das vezes recorremos a amigos, vizinhos ou parentes, que indicam profissionais para executar a reforma, que, muitas vezes, prometem uma visão otimista da reforma, deixando de ponderar os principais riscos envolvidos. Aliado a este fato, estes profissionais costumam ser contratados informalmente, sem muitas referências ou qualquer garantia de que o serviço será executado de fato, sendo comuns situações de abandono da obra pelo empreiteiro, causando transtornos incalculáveis para os proprietários.

Para tanto, recomenda-se nunca optar pela contratação verbal, fazendo-se necessário amarrar bem os pagamentos e cumprimento das obrigações, de forma a se pagar os serviços executados apenas após sua conclusão, evitando ao máximo os adiantamentos ou “vales”, como normalmente são chamados.

Por tudo isto, verifica-se, que reformar não é uma tarefa fácil, entretanto, não se mostra recomendável adiar os consertos ou as manutenções necessárias, tendo em vista que a demora normalmente agrava as circunstâncias do problema, majorando os custos e, consequentemente, os transtornos causados.

Como alternativa, na década de 1950, nos Estados Unidos surgiu o conceito “do it yourself”, que em português significa “faça você mesmo”, devido ao encarecimento da mão-de-obra e a visão empreendedora dos empresários, que começaram a desenvolver produtos fáceis de serem manuseados e com manuais explicativos, tornando-se uma alternativa para pessoas que precisam fazer pequenos ajustes em suas residências, mas não querem conviver com os notórios inconvenientes desse tipo de iniciativa.

No Brasil, esta modalidade ganhou o nome de bricolagem, referindo-se à execução de pequenos trabalhos domésticos sem a necessidade de se contratar um profissional para realização destes serviços, cujas atividades desenvolvidas compreendem procedimentos de execução simples, como ajustes no jardim, pinturas em geral e montagem de móveis, entre outros.

Na bricolagem o próprio consumidor é o responsável pelo trabalho realizado, pois não envolve instalações pesadas e as ferramentas utilizadas oferecem menos riscos, porém existe a possibilidade do resultado não ficar igual ao que foi planejado, por falta de familiaridade com a atividade, mas todos tem capacidade para realizar essas pequenas intervenções.

Na maioria dos casos, a bricolagem ainda funciona como um hobby, que, além da economia, proporciona momentos de prazer e satisfação para quem executa, diferentemente da reforma, que requer mais cuidados e mais pessoas envolvidas.

A escolha entre reforma ou bricolagem vai depender do tamanho da intervenção necessária, mas é sempre recomendado que o interessado procure um bom profissional para ajudá-lo e orientá-lo, especialmente quando se trata de reforma, tendo em vista que, ao final, é inquestionável que a contratação de um especialista compensa pela economia, segurança e qualidade obtidas.

 

 

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